A viagem de incentivo, aquela oferecida pelas empresas como prêmio a vendedores, distribuidores e equipes de alto desempenho, continua firme, mas cada vez mais exposta a fatores fora do controle de quem organiza. É o retrato do Incentive Travel Index 2026, estudo anual que acompanha o segmento e que serve de termômetro para quem vende destinos, hospedagem e serviços para esse público.
Segundo a Incentive Research Foundation (IRF), a pesquisa, feita em parceria com a SITE Foundation e com a Oxford Economics como parceira de pesquisa, ouviu 2.017 pessoas em 83 países, das quais 42,7% compradores. É o oitavo ano da colaboração entre as duas entidades.
Gasto maior, atividade estável
Os principais números do resumo executivo:
- Gasto por pessoa: média de US$ 5.500, alta de 7,8% sobre o ano anterior.
- Perspectiva para 2027: 62% preveem atividade de incentivo parecida com a de 2026, e quase 26% esperam aumento.
- Risco geopolítico: 60,5% dizem que a instabilidade geopolítica já afeta os destinos que usam.
- Transporte aéreo: garantir assentos e capacidade aérea virou um desafio de curto prazo para 40% dos compradores americanos, contra 12% no índice do ano passado.
- Destino em alta: a Europa Ocidental teve o maior saldo positivo de intenção de uso entre compradores, de +29,3%.
- Gosto do premiado: dois em cada cinco compradores dizem que a escolha do destino está muito alinhada com o que os próprios premiados escolheriam.
- Uso de IA: 60% usam IA em três ou mais aplicações, e mais de um em cada cinco em cinco ou mais.
Viagem de incentivo sob pressão externa
O quadro geral é de estabilidade sob pressão. As empresas não estão cortando programas, mas gastam mais por participante e enfrentam riscos que fogem ao controle do planejador: conflitos que tornam destinos inviáveis, escassez de voos e aumento de custos. A alta de 7,8% no gasto médio não significa necessariamente programas mais luxuosos; parte dela pode refletir custos maiores para entregar a mesma experiência.
O dado sobre o alinhamento com o gosto dos premiados também merece atenção. Se o destino escolhido é o que o participante desejaria, a viagem cumpre melhor seu papel de motivar, e isso dá peso à pesquisa de preferências antes de fechar o programa.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O estudo não traz dados específicos sobre o Brasil, nem como origem nem como destino. Ainda assim, a leitura ajuda receptivos, hotéis, operadoras e escritórios de turismo brasileiros a entender o que o comprador internacional está avaliando, e serve também para quem monta programas de incentivo para empresas brasileiras:
- Segurança e previsibilidade: num ambiente em que mais da metade dos entrevistados vê seus destinos afetados por instabilidade, a percepção de estabilidade do destino vira argumento comercial. Isso exige informação clara e atualizada sobre segurança, saúde e infraestrutura.
- Conectividade aérea: a dificuldade de garantir assentos citada pelos compradores americanos mostra que voos diretos e capacidade aérea pesam na escolha. Destinos e hotéis precisam trabalhar junto com companhias e operadoras para apresentar soluções de transporte do grupo.
- Experiência sob medida: se o destino ideal é o que o premiado escolheria, propostas com opções de atividades e personalização têm mais chance.
- Transparência de custo: com o gasto por pessoa em alta, o comprador vai comparar propostas com lupa. Detalhar o que está incluído e onde há margem de ajuste ajuda a fechar negócio.
Para empresas brasileiras que mantêm programas de incentivo, a recomendação é a mesma que aparece entre os compradores internacionais: planejar com mais antecedência, ter destinos alternativos mapeados e contratos que prevejam mudança de rota.
Fonte: Incentive Research Foundation (IRF), publicado em 19/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.