Duas vezes por ano, a UFI, associação global da indústria de feiras, ouve organizadoras, pavilhões e prestadores de serviço de vários países para medir o humor do setor. É a pesquisa do setor de feiras de referência da entidade, e o Brasil está entre os mercados com análise própria. A edição mais recente traz um dado que chama atenção: 91% das empresas já usam inteligência artificial em alguma medida.
Segundo o comunicado oficial da UFI, publicado em 8 de julho, a 37ª edição do Global Exhibition Barometer foi concluída em junho de 2026, com dados de 466 empresas de 59 países e regiões, e feita em colaboração com 33 associações. O relatório traz perfis de 20 mercados, entre eles Brasil, Argentina, Colômbia e México.
Pesquisa do setor de feiras aponta expectativas mais cautelosas
No resultado global, 27% das empresas esperam aumento de receita acima de 5% em 2026, e 38% preveem estabilidade. Na atividade, medida pela área locada no mercado doméstico, 26% esperam crescimento acima de 5%, 38% estabilidade e 21% queda acima de 5%. Seis meses antes, 44% esperavam crescimento acima de 5%, o que mostra um setor mais cauteloso, em parte pela situação no Oriente Médio.
O impacto do conflito, porém, ficou concentrado na região. Só 14% das empresas no mundo e 10% fora dos países do Conselho de Cooperação do Golfo relataram efeito fortemente negativo nos negócios.
As principais preocupações no curto prazo:
- situação da economia no mercado doméstico (19% das respostas);
- desafios geopolíticos (18%);
- evolução da economia global (16%).
Sobre lucro, 37% das empresas relataram aumento de mais de 10% no lucro operacional de 2025. Para 2026, a maioria (54%) espera estabilidade.
A IA já faz parte da rotina
O dado de adoção de IA subiu quatro pontos em seis meses e chegou a 91%. A maior parte (70%) usa ferramentas padrão em pelo menos algumas áreas; 17% têm ferramentas integradas aos sistemas e 4% já desenvolveram algoritmos próprios treinados com dados internos. Só 9% dizem não usar ou quase não usar IA.
A maturidade, no entanto, ainda é baixa: a maioria segue pesquisando ou testando soluções, seja para eficiência interna, experiência do cliente ou geração de receita com produtos baseados em IA. Este último uso é o menos avançado.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O comunicado não detalha os resultados por país. O perfil do Brasil está no relatório completo, que a UFI disponibiliza para download na sua central de conhecimento. Para quem organiza, opera pavilhão ou presta serviço no país, vale a leitura por alguns motivos:
- Comparação: o recorte permite ver como as expectativas brasileiras se posicionam frente à média global e aos vizinhos latino-americanos analisados.
- Argumento com dados: números de uma pesquisa internacional reconhecida ajudam em conversas com patrocinadores, investidores e poder público.
- Agenda de IA: se 91% das empresas do setor no mundo já usam IA, a pergunta para cada equipe é em que estágio ela está e onde a tecnologia pode economizar tempo de verdade.
Há ainda um ponto prático: a qualidade do recorte de cada país depende de quantas empresas respondem. A próxima rodada da pesquisa será em dezembro de 2026. Organizadoras, pavilhões e fornecedores brasileiros que participarem ajudam a tornar o retrato do país mais preciso e mais útil para todo o mercado. Quando os resultados de dezembro forem divulgados, a Agenda de Feiras volta ao tema.
Fonte: UFI (comunicado oficial), publicado em 08/07/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.