Entre tantos anúncios de IA na organização de eventos, um detalhe começa a separar as propostas: quem tem a palavra final. A Bizzabo, plataforma de gestão de eventos com sede em Nova York e Tel Aviv, apresentou um conjunto de agentes de inteligência artificial que preparam tarefas, mas não colocam nenhuma alteração no ar sem que uma pessoa aprove.
Segundo o blog oficial da Bizzabo, o chamado Agentic Operating System for Events foi apresentado em 12 de outubro, com demonstração prevista na IMEX America, em Las Vegas. Os agentes trabalham dentro da plataforma, a partir do histórico de eventos da própria equipe, e respeitam as permissões de acesso que já existem no sistema.
Cinco agentes, cada um com uma tarefa
A empresa descreve cinco funções iniciais:
- Website Designer: o organizador conversa com o site do evento e vê as mudanças acontecerem, dentro da identidade visual definida.
- Setup Reviewer: uma checagem antes da abertura das inscrições, para pegar erros antes que o público os veja.
- Content Manager: monta e atualiza a programação a partir de um comando.
- Audience Manager: identifica segmentos de público e tenta reativá-los, como participantes de edições anteriores que ainda não se inscreveram.
- Event Analyst: compara o ritmo de inscrições com o dos eventos anteriores da equipe e sugere o próximo passo, que fica à espera de aprovação.
Clientes atuais podem ter acesso antecipado aos primeiros agentes ainda neste outono do hemisfério norte, e a disponibilidade ampla está prevista para o início de 2027. Como se trata de comunicado da própria empresa, os resultados práticos ainda precisam ser vistos em uso.
IA na organização de eventos: a regra "prepara, mas não publica"
O ponto mais interessante do anúncio não é a lista de agentes, e sim o princípio por trás dela. A Bizzabo diz que ouviu das equipes de eventos que elas querem que a IA rascunhe, analise e recomende, sem abrir mão do controle. Daí a regra: o agente propõe, a pessoa aprova.
A empresa também contrapõe sua abordagem à de fornecedores que apenas abrem os dados para modelos externos e deixam a equipe construir a inteligência por conta própria. Na visão do cofundador e CMO, Alon Alroy, as equipes não deveriam precisar virar engenheiras de IA para tirar proveito da tecnologia. É um argumento comercial, claro, mas toca num dilema real: integração aberta dá flexibilidade; agente embutido dá conveniência e um contexto mais rico, ao custo de maior dependência de um único sistema.
O que isso muda para o mercado brasileiro
Independentemente da ferramenta, o modelo "a IA prepara, a pessoa aprova" é uma boa régua para o organizador brasileiro escrever as próprias regras de uso de IA na equipe. Muitas empresas do setor já usam assistentes de texto de forma informal, sem combinados sobre o que pode ou não sair sem revisão.
Uma política simples pode partir de três perguntas:
- O que é só rascunho? Textos de site, posts, e-mails de lembrete e programação podem ser preparados por IA, mas alguém revisa antes de publicar.
- O que nunca passa por IA sem supervisão? Preços, condições para expositores e patrocinadores, comunicados de crise e qualquer dado pessoal de participantes.
- Quem aprova? Definir um responsável por tipo de conteúdo evita que a revisão vire tarefa de ninguém.
Outro aprendizado vale para qualquer equipe: a análise que compara o desempenho com as edições anteriores da própria feira é mais útil do que uma média genérica de mercado. Para isso, porém, é preciso ter o histórico organizado. Quem guarda dados de inscrição, origem do público e ritmo de vendas de cada edição, em formato consistente, estará mais preparado para tirar proveito de qualquer ferramenta que surgir.
Fonte: Bizzabo (blog oficial), publicado em 12/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.