Custos em alta, incerteza geopolítica e participantes mais exigentes. Mesmo com esse cenário, os profissionais que planejam reuniões e eventos corporativos entram em 2027 otimistas e com uma prioridade clara: a experiência do participante. É o que mostra uma das pesquisas anuais mais acompanhadas sobre tendências de eventos corporativos 2027.
Segundo o comunicado oficial da American Express Global Business Travel (Amex GBT), publicado em 13 de outubro, o 2027 Global Meetings and Events Forecast ouviu 500 profissionais de reuniões e eventos em 11 países. O levantamento foi feito pela YouGov entre 5 e 14 de agosto de 2026. A revista Meetings + Events também repercutiu os resultados.
Tendências de eventos corporativos 2027: experiência em primeiro lugar
Melhorar a experiência do participante é a prioridade número um em todas as regiões do mundo, segundo o relatório. E, com a multiplicação de conteúdo gerado por IA, os profissionais dizem que o público busca experiências autênticas e humanas. O que os participantes esperam, segundo os entrevistados:
- experiências mais personalizadas (35%);
- mais atividades sociais e networking (31%);
- mais sessões práticas, interativas e oficinas (31%).
A IA aparece como apoio, não como substituta. Entre os usos planejados, 34% pretendem usar a tecnologia para dar à equipe no local informações que permitam um atendimento personalizado; 32% citam a comunicação do evento, 30% a logística e 24% a busca e contratação de fornecedores.
Incerteza muda destino e formato
A instabilidade geopolítica já está alterando o planejamento: 39% relatam mudança de destino ou cidade, 37% fizeram mais reuniões virtuais e 30% reduziram o tamanho dos eventos ou trocaram de local. A gestão de riscos e conformidade está entre as três principais prioridades para 2027, e 79% já aplicam práticas de gestão de risco em todos ou na maioria dos eventos.
Mesmo assim, 91% esperam aumento do gasto total com reuniões e eventos em 2027, e 93% estão otimistas com a saúde do setor. Para Gerardo Tejado Donde, vice-presidente sênior de serviços profissionais da Amex GBT, os planejadores estão respondendo às pressões com adaptação, e não com recuo.
O que isso muda para o mercado brasileiro
A pesquisa é global e não traz recorte do Brasil, mas as prioridades descritas tendem a aparecer nos pedidos de clientes corporativos de qualquer mercado, inclusive nas filiais brasileiras de empresas multinacionais, que seguem diretrizes globais. Para fornecedores de buffet, cenografia, staff e produção, a leitura prática é:
- Personalização vende: propostas que mostram como adaptar o evento ao perfil dos participantes (cardápios, trilhas de conteúdo, ambientes) tendem a ganhar espaço sobre pacotes padronizados.
- Formato prático: oficinas e sessões interativas exigem outra montagem, outro mobiliário e outro tipo de staff. Quem oferece esse formato pronto sai na frente.
- Networking desenhado: espaços e dinâmicas que facilitam conversa, e não só o coffee break no corredor, viram parte do produto.
- Equipe informada: se o cliente quer usar IA para dar à equipe dados sobre os participantes, o fornecedor de staff precisa de treinamento para usar essas informações com discrição e dentro da LGPD.
- Flexibilidade contratual: com tantas mudanças de destino, local e porte, contratos com regras claras de remarcação e redução de escopo são um diferencial.
O recado para o fornecedor é que vender experiência não é vender mais luxo. É mostrar ao cliente como cada item da proposta contribui para que o participante saia do evento com a sensação de que valeu a pena estar lá.
Fonte: Amex GBT (comunicado oficial), publicado em 13/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.