Quem cuida da comida num pavilhão de feiras faz diferença na experiência de expositores e visitantes, e também no bolso do organizador. Em Londres, o Olympia decidiu assumir esse serviço por conta própria e agora quer usar o buffet para eventos como argumento para atrair conferências, jantares e premiações corporativas.
Segundo a Exhibition News, a Olympia Events nomeou Karen Cmela como diretora de alimentos e bebidas. Ela vai comandar o serviço nos pavilhões históricos do Olympia, no novo centro de convenções ICC e no The Addison, espaço que ainda será lançado.
A internalização do catering
A mudança faz parte de uma estratégia iniciada no começo do ano. Em janeiro, a Olympia Events, administrada pela Legends Global, trouxe o catering para dentro de casa. No mês seguinte, contratou Steven Morris como chef executivo. Cmela, que já ocupou cargos de liderança no hipódromo de Ascot e na arena The O2, começou em 7 de setembro.
Com a inauguração do ICC neste ano, o foco da nova diretora será ampliar o serviço para conferências e eventos corporativos, de banquetes e jantares a cerimônias de premiação, sem deixar de atender as feiras. Para Cmela, a comida deveria ser um dos motivos principais para os organizadores voltarem ao Olympia. O diretor de operações, Alex Lewis, disse que a nomeação vem num momento importante, em que o local fortalece a oferta nas feiras e amplia a atuação em conferências e eventos ao vivo.
A nomeação acontece em meio à reforma de £ 1,3 bilhão do complexo, que já ganhou bares, restaurantes, hotéis e uma casa de shows com capacidade para 3.800 pessoas. Um teatro, o primeiro novo em Londres em 50 anos, segundo a publicação, deve abrir em 2027.
Buffet para eventos como diferencial do pavilhão
O movimento do Olympia mostra como o pavilhão passa a ver alimentos e bebidas não como serviço de apoio, mas como parte do produto. Com um centro de convenções novo, o local quer disputar eventos em que a comida é protagonista, como jantares de gala e premiações, que dependem de cozinha estruturada e padrão de serviço.
Internalizar o catering dá ao pavilhão mais controle sobre qualidade, preço e margem. Em compensação, exige investimento em equipe, cozinha e gestão, e coloca o local em concorrência direta com empresas que antes eram parceiras.
O que isso muda para o mercado brasileiro
A relação entre pavilhões e buffets pode seguir modelos diferentes, como exclusividade, lista de fornecedores credenciados ou contratação livre, e cada espaço define o seu. Quando o pavilhão decide assumir o serviço, o buffet terceirizado precisa repensar a estratégia. Algumas possibilidades:
- Parcerias formais: oferecer-se como operador do serviço em nome do pavilhão, com marca do local e padrão definido em contrato, em vez de competir com ele.
- Nichos: cardápios especializados (restrições alimentares, cozinha regional, eventos de alto padrão) podem continuar sendo terceirizados mesmo quando o pavilhão tem cozinha própria.
- Eventos fora do pavilhão: diversificar para hotéis, espaços alternativos e eventos corporativos em empresas reduz a dependência de um único local.
- Atenção às cláusulas de exclusividade: organizadores e expositores devem verificar, antes de fechar o espaço, se há restrição para contratar buffet externo e quais são as taxas para isso.
Para organizadores de feiras e eventos corporativos, o recado é que o cardápio virou critério de escolha de local. Vale incluir alimentos e bebidas na avaliação de pavilhões, considerando qualidade, flexibilidade e preço, e não só metragem e datas.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 20/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.