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Networking estressa o público; a saída é desenhar conversas que acontecem sozinhas
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Networking estressa o público; a saída é desenhar conversas que acontecem sozinhas

Coquetel de abertura, happy hour no fim do dia de feira, sala de networking: quase todo evento reserva um momento para o público "fazer contatos". O problema é que muita gente detesta esses momentos. Foi o que disse Claire Lester, estrategista sênior de design da Maritz, numa sessão na IMEX America, em Las Vegas.

Segundo a Skift Meetings, Lester ouve sempre a mesma resposta quando pergunta a profissionais o que acham de networking: eles odeiam. "Parece pouco autêntico, como se estivéssemos tentando ganhar alguma coisa", afirmou.

Por que o networking estressa

Networking costuma ter mesmo um objetivo, seja um novo contato comercial ou uma oportunidade de emprego, e é justamente isso que gera tensão. Será que vou ser rejeitado? Vou parecer inteligente o bastante? Lester associa essas dúvidas ao medo de exclusão social, algo que, nas palavras dela, parece vir da época das cavernas, como uma ameaça à sobrevivência.

O ambiente tradicional piora tudo: uma sala cheia de grupos que já se conhecem de outros eventos, luz forte e música alta. O resultado, segundo ela, é uma sobrecarga cognitiva.

Conversas que acontecem sozinhas

A primeira mudança proposta é de nome. Lester deixou de chamar esses momentos de networking e passou a usar, na programação, títulos como "Collaboration Corner" e "Meet Your Mentor". A segunda é criar o que ela chama de "conversas inevitáveis". Um exemplo são perguntas colocadas sobre as mesas para dar um ponto de partida, e elas não precisam ser sofisticadas nem falar de trabalho. Podem tratar do que as pessoas fazem fora do expediente. "As pessoas se conectam mais rápido quando falam de algo de baixo risco", disse.

Outra proposta é colocar o público em movimento, trocando reuniões individuais sentadas por conversas a dois caminhando. Andar e conversar reduz a pressão do contato visual direto e tende a render conversas mais interessantes. A reportagem cita uma pesquisa da Universidade Stanford segundo a qual a produção criativa aumenta, em média, 60% durante uma caminhada em comparação com a pessoa sentada.

Onde não há espaço para caminhar, ou para quem não pode, a sugestão é estimular um "senso compartilhado de brincadeira", com estações de pintura ou desenho. Fazer amigos num parquinho, lembra Lester, é bem mais natural do que conhecer parceiros de negócio num jantar formal. "Faça do networking o componente secundário de outra coisa", resumiu.

O organizador como designer de conversas

Para Lester, a mudança é de mentalidade: em vez de ver o networking como um espaço a ser preenchido, o organizador deve tratá-lo como uma tarefa a ser cumprida e se enxergar como um "designer de conversas". E isso precisa ser medido. A sugestão dela é incluir na pesquisa pós-evento uma pergunta simples: numa escala de 1 a 5, qual nível de pertencimento você sentiu neste evento?

O que isso muda para o mercado brasileiro

  • Organizadores de feiras e congressos: coquetéis e happy hours podem ganhar um motivo para conversar, como perguntas nas mesas, mentorias rápidas ou atividades em grupo, em vez de depender só de bebida e música.
  • Expositores: eventos no estande funcionam melhor quando o convidado tem algo para fazer ou experimentar, e a conversa comercial vem como consequência.
  • Fornecedores de cenografia e ambientação: há espaço para propor ambientes mais silenciosos e acolhedores, com luz e som pensados para a conversa.
  • Medição: incluir a pergunta sobre pertencimento nas pesquisas permite comparar formatos de uma edição para outra.

Para a Agenda de Feiras, a mensagem é que contato de qualidade raramente acontece por acaso. Ele precisa ser desenhado.

Fonte: Skift Meetings, publicado em 15/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.

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