Luz forte, barulho constante, multidão nos corredores e sinalização confusa. Para muita gente, uma feira de negócios é um ambiente cansativo; para pessoas neurodivergentes, pode ser inviável. Uma feira lançada em Londres decidiu tratar a acessibilidade em feiras não só como tema da exposição, mas como forma de organizar o próprio evento.
Segundo a Exhibition News, a Neuroplaces, apresentada como o primeiro evento do tipo no Reino Unido, foi programada para 15 a 17 de setembro de 2026 no Protein Studios, em Shoreditch, como parte do London Design Festival e da Shoreditch Design Week. A reportagem, publicada em julho, descreve o que estava previsto para o evento.
Uma feira sobre design inclusivo
A Neuroplaces é uma feira e conferência B2B dedicada a design neuroinclusivo e acessível. A proposta é reunir organizações que cuidam de espaços públicos, como locais de trabalho, museus, terminais de transporte, universidades e atrações turísticas, com fornecedores, designers e especialistas em ambientes inclusivos.
Segundo a publicação, o evento previa mais de 55 expositores em categorias como mobiliário inclusivo, iluminação e acústica, sinalização e orientação, ambientes sensoriais, tecnologia assistiva e acessibilidade digital. A conferência teria 34 sessões sobre design sensorial, estudos de caso e formas de incorporar o design inclusivo nas organizações. A inscrição era gratuita.
Acessibilidade em feiras: a própria feira como demonstração
O que mais interessa ao setor de eventos é que a Neuroplaces foi planejada como uma demonstração prática de como organizar uma feira neuroinclusiva. As medidas anunciadas incluíam:
- sinalização inclusiva para facilitar a orientação no espaço;
- cordões de crachá que indicam a preferência de comunicação de cada participante;
- sala de descanso e zona silenciosa para quem precisa de uma pausa dos estímulos;
- legendas ao vivo e fones de ouvido nas sessões;
- cabines sensoriais, espaços fechados para recuperação;
- acompanhantes de apoio para quem precisar de ajuda durante a visita.
A reportagem é anterior ao evento e não traz o balanço do que foi efetivamente realizado. Ainda assim, a lista de medidas serve como referência prática.
O que isso muda para o mercado brasileiro
A Lei Brasileira de Inclusão trata da acessibilidade como direito. Em eventos, rampas, banheiros adaptados e intérprete de Libras são itens essenciais, e a acessibilidade sensorial acrescenta uma camada a mais. Muitas medidas da Neuroplaces são simples e de baixo custo. Algumas que feiras brasileiras podem adotar já na próxima edição:
- Zona silenciosa: uma sala ou área isolada do pavilhão, com luz baixa e assentos confortáveis, sinalizada no mapa e no aplicativo.
- Horário de menor estímulo: uma faixa de horário com som ambiente reduzido e menos ativações barulhentas nos estandes.
- Cordões de comunicação: cores de cordão que indicam se a pessoa prefere ser abordada ou não, ou se prefere comunicação escrita.
- Informação antecipada: mapa detalhado, fotos do espaço e descrição do que esperar na entrada, publicados antes do evento, ajudam a reduzir a ansiedade.
- Legendas: legendagem ao vivo nas palestras beneficia pessoas surdas, neurodivergentes e quem está num ambiente barulhento.
- Treinamento da equipe: recepcionistas e seguranças preparados para reconhecer sinais de sobrecarga sensorial e indicar a zona silenciosa.
- Orientação aos expositores: um guia com boas práticas de som, luz e abordagem nos estandes.
Para fornecedores de mobiliário, iluminação, acústica e sinalização, a pauta também abre um mercado: soluções para ambientes sensoriais tendem a ser cada vez mais procuradas por pavilhões, organizadores e expositores. E, para o organizador, acessibilidade bem feita amplia o público e melhora a experiência de todos, não só de quem precisa dela.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 21/07/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.