Uma das principais organizadoras alemãs de feiras vai estrear no Marrocos. A Messe Düsseldorf, conhecida por eventos como a interpack, de embalagens, prepara para 2027 sua primeira feira no país, voltada às indústrias de alimentos e embalagem. Para quem acompanha o calendário de feira internacional de alimentos, é uma nova porta no norte da África com vista para os mercados da África Ocidental.
Segundo o comunicado oficial da Messe Düsseldorf, divulgado em Casablanca em 3 de setembro, o evento será organizado em parceria com a Fédération Nationale de l'Agroalimentaire (FENAGRI), federação nacional da indústria de alimentos do Marrocos. O nome e a data exata da feira ainda não foram anunciados.
Por que o Marrocos para uma feira internacional de alimentos
O presidente e CEO da Messe Düsseldorf, Wolfram N. Diener, explicou a lógica geográfica: as feiras de alimentos e embalagens que o grupo já realiza no Cairo fazem a ponte entre a África e o Oriente Médio, enquanto o Marrocos daria acesso aos mercados da África Ocidental, com a vantagem da proximidade com a Europa. Com a entrada no país, a rede da organizadora na região do Oriente Médio e Norte da África passará a ir da costa atlântica à Península Arábica.
O comunicado reúne alguns dados sobre o mercado marroquino:
- crescimento anual projetado entre 4,5% e 5% até 2028, com investimento público em infraestrutura, indústria e energia;
- uma rede extensa de acordos de livre comércio;
- mais de 60% das importações e exportações de alimentos feitas com a União Europeia, seguida por Reino Unido, Estados Unidos, Turquia, África Subsaariana e a própria região;
- exportação de frutas, hortaliças, alimentos processados e pescados, e importação de grandes volumes de grãos, óleos comestíveis, ração animal e laticínios.
A FENAGRI atua sob mandato do Ministério da Indústria e Comércio marroquino, reúne 15 associações setoriais e mais de 2.600 empresas e, segundo a organizadora, cobre cerca de 40% a 50% do mercado do país.
A expansão por etapas
A entrada no Marrocos segue um caminho que a Messe Düsseldorf vem construindo na região desde 2019, com o lançamento da interpack Middle East Africa. Dois anos depois, a empresa passou a participar da Food Africa, realizada em paralelo. O movimento mostra uma expansão ao longo da cadeia de valor: das embalagens para os alimentos.
É também um exemplo de como grandes organizadoras levam marcas e formatos consolidados para novos mercados: com um parceiro local forte, que traz acesso às empresas e às instituições, e um foco setorial claro.
O que isso muda para o mercado brasileiro
A lista de importações do Marrocos citada no comunicado (grãos, óleos comestíveis, ração animal, laticínios) e a demanda por soluções modernas de processamento e embalagem desenham um mapa de interesse para exportadores e fabricantes de outros países. Para as empresas brasileiras que atuam nesses segmentos, a nova feira pode ser:
- Vitrine regional: um ponto de contato com compradores do norte e do oeste da África e do mundo árabe num só lugar.
- Teste de mercado: numa primeira edição, a disputa por atenção tende a ser menor, embora o público ainda seja uma incógnita.
- Porta para máquinas: fabricantes de equipamentos de processamento e embalagem encontram uma indústria local que, segundo a organizadora, demanda modernização.
Cuidados de quem pensa em participar: acompanhar o anúncio oficial de datas e local, avaliar a participação em pavilhão coletivo quando houver, checar exigências sanitárias e de rotulagem para o mercado marroquino e, numa primeira edição, ir com metas modestas e foco em relacionamento.
Para organizadores brasileiros, a lição é de método: a expansão internacional da Messe Düsseldorf começou por um setor em que a marca já era forte e avançou com parceiros locais com representatividade real.
Fonte: Messe Düsseldorf (comunicado oficial), publicado em 03/09/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.