Levar um estande, máquinas e material de demonstração para uma feira no exterior não é o mesmo que despachar carga comum. Há prazos rígidos de entrada no pavilhão, regras de cada organizador, desembaraço aduaneiro e o retorno de tudo depois do evento. Por isso a logística para feiras vem se tornando uma especialidade à parte, e um grande operador global acaba de formalizar isso.
Segundo o comunicado oficial do AD Ports Group, publicado em 7 de outubro, a Noatum Logistics, empresa de logística do grupo de Abu Dhabi, criou a Fairs & Events Logistics como unidade dedicada, com liderança, organização de produto e estratégia de crescimento próprias.
Além do frete
A empresa diz que quer integrar a logística de forma mais estratégica ao planejamento e à execução das feiras, trabalhando junto de clientes, organizadores e pavilhões. A proposta vai além do agenciamento de carga tradicional e inclui serviços integrados e adaptados a cada evento.
Thorsten Meincke, vice-presidente executivo de frete aéreo e marítimo da Noatum, afirmou que as exigências logísticas das feiras estão ficando mais complexas e que organizadores e expositores esperam uma execução sem falhas em vários mercados. Lars Pohlmann, que comanda a nova unidade globalmente, destacou que a logística de feiras depende de planejamento preciso, execução local confiável e equipes experientes no local.
No lançamento, a unidade tem equipes na Alemanha, no Reino Unido, na Grande China, no Benelux, nos Emirados Árabes Unidos e na Península Ibérica, com apoio da rede operacional da empresa. A operação nos Emirados já atendia grandes eventos, como as feiras de defesa IDEX e NAVDEX.
Logística para feiras como especialidade
O movimento confirma algo que quem trabalha com feiras internacionais conhece bem: frete de feira é diferente. A carga precisa chegar numa janela exata de montagem, muitas vezes passa por operadores credenciados pelo próprio pavilhão, exige manuseio cuidadoso de estruturas e equipamentos e tem de voltar, ou seguir para a próxima feira, num prazo curto. Um atraso de um dia pode significar um estande vazio na abertura.
Quando um operador global decide criar uma unidade separada para isso, é sinal de que vê demanda crescente por quem una alcance internacional e conhecimento específico do setor.
O que isso muda para o mercado brasileiro
Para operadores logísticos brasileiros, a especialização é uma oportunidade. Organizadores e expositores valorizam quem conhece prazos de pavilhão, regras de montagem e trâmites aduaneiros de eventos, e esse conhecimento é difícil de improvisar.
Para o expositor brasileiro que leva carga para fora, alguns cuidados:
- Comece cedo: verifique com o organizador os prazos de chegada da carga e se há operador logístico oficial obrigatório no pavilhão.
- Entenda o regime aduaneiro: bens que vão e voltam podem usar regimes de admissão temporária. O Brasil aceita o Carnê ATA, documento aduaneiro internacional que, segundo a Receita Federal, permite a importação temporária de bens para feiras e exposições com suspensão dos tributos. Confira se o país de destino também aceita e quais bens estão cobertos.
- Planeje a volta: o retorno da carga costuma ser esquecido no orçamento. Defina antes quem cuida da desmontagem, embalagem e reenvio.
- Seguro: confirme a cobertura de todo o trajeto, incluindo o período dentro do pavilhão.
Para organizadores de feiras com expositores estrangeiros, indicar operadores com experiência em eventos e publicar um manual logístico claro ajuda a evitar o estande vazio no primeiro dia.
Fonte: AD Ports Group (comunicado oficial), publicado em 07/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.