Muitos organizadores querem dados sobre a pegada de carbono em eventos, mas hesitam em transformar o pedido em obrigação para os fornecedores. Uma associação europeia deu esse passo: na sua conferência anual de 2026, medir as emissões deixou de ser opcional para montadoras e prestadores oficiais.
Segundo a Exhibition News, a European Association for International Education (EAIE) ampliou a parceria com a consultoria Green Circle Solutions e exigiu a medição de carbono de todas as montadoras de estandes e contratadas oficiais da conferência e exposição realizada de 8 a 11 de setembro no Scottish Event Campus, em Glasgow, na Escócia.
Da medição à decisão
Além de cobrar dados dos fornecedores, a EAIE incluiu na inscrição uma calculadora de carbono da viagem dos participantes. O deslocamento do público é uma das maiores fontes de emissão em eventos internacionais, e o organizador raramente tem esse dado.
A associação acompanha o impacto de carbono da conferência há quatro anos. Com base nesse histórico, adotou neste ano medidas como:
- incentivo ao trem em vez do avião, por meio de parceria com a Eurail/Interrail;
- retirada do carpete dos corredores;
- cardápio totalmente vegetariano;
- sistema de copos reutilizáveis.
O trabalho começou na edição de 2025, em Gotemburgo, na Suécia, quando as ferramentas da consultoria foram usadas pela primeira vez para medir viagem dos participantes, montagem de estandes, fornecedores e viagens da equipe. Esses dados serviram de base para indicadores de sustentabilidade. A meta declarada da EAIE é chegar a uma conferência e exposição de emissão líquida zero.
David Humphreys, diretor da Green Circle Solutions, observou que muitos organizadores querem dados melhores de sustentabilidade, mas relutam em exigir essas informações. Para ele, medir não basta, mas sem medição é difícil saber se as decisões tomadas estão de fato reduzindo o impacto.
Pegada de carbono em eventos: o que muda para o fornecedor
O caso é de uma associação com perfil internacional, num mercado em que a pauta climática está mais avançada nas compras corporativas. Mas o mecanismo é replicável: o organizador transforma a medição em cláusula de contratação e usa os dados para decidir. Para quem presta serviço, isso significa que, mais cedo ou mais tarde, a pergunta "quanto carbono o seu serviço gera?" pode aparecer no edital ou na concorrência.
O que isso muda para o mercado brasileiro
Exigências desse tipo podem chegar aos contratos de feiras no Brasil sobretudo por meio de clientes internacionais e de grandes empresas com metas climáticas, que costumam levar o tema para a cadeia de fornecedores. Montadoras, buffets, transportadoras e locadoras que começarem a medir antes de serem cobradas terão vantagem.
Por onde começar:
- Montadoras: registre peso e tipo de material de cada estande, o que é novo, o que é reaproveitado e o destino de cada item na desmontagem.
- Buffets: tenha um cardápio vegetariano pronto para oferecer e controle de desperdício por evento.
- Transportadoras: registre distâncias, tipo de veículo e consumo de combustível por operação.
- Organizadores: antes de exigir, ofereça um modelo simples de relatório para os fornecedores preencherem. Exigência sem formato padronizado gera dados que não se comparam.
O caso da EAIE mostra uma sequência que faz sentido: medir por alguns anos, entender onde está o maior impacto e só então tomar decisões visíveis, como tirar o carpete ou mudar o cardápio. É uma ordem que evita medidas simbólicas e concentra o esforço onde ele faz diferença.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 22/09/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.