Montar um estande do zero para poucos dias de feira e jogar boa parte dele fora na desmontagem ainda é prática comum no setor. Uma iniciativa internacional que estabelece critérios para o estande sustentável, focada em reutilização, acaba de ganhar reconhecimento da principal associação global de feiras e cita o Brasil entre os mercados mais promissores.
Segundo a Trade Show News Network (TSNN), a Better Stands recebeu o Prêmio de Desenvolvimento Sustentável 2026 da UFI, que neste ano teve como tema a redução de carbono. Um registro de transparência: a iniciativa nasceu dentro da Informa, e a TSNN pertence ao mesmo grupo, como o próprio veículo informa.
Como funciona a avaliação
A Better Stands é uma metodologia de 10 pontos que avalia o quanto um estande é reutilizável. A avaliação pode ser feita por avaliadores independentes, pelos próprios expositores, por montadoras ou por organizadores, e há três níveis de certificação: bronze, prata e ouro.
Ben Wielgus, da equipe de sustentabilidade da Informa e um dos responsáveis pela iniciativa, disse à TSNN que o bronze é o passo mais importante, porque marca o compromisso inicial e é onde está a maior diferença operacional e ambiental. A ideia surgiu em 2016, foi testada em projetos-piloto e ganhou alcance global em 2025, com a Net Zero Carbon Events e com a IFES, federação internacional de prestadores de serviços para feiras, na função de secretaria. A Informa abriu o programa para que outras organizadoras, montadoras e associações aderissem.
Os números informados pela reportagem:
- mais de 100 membros, com eventos em mais de 40 países;
- mais de 500 eventos e mais de 100 mil expositores alcançados por meio de avaliações de estande no local;
- em 2025, 5.400 expositores a mais escolheram a Better Stands nas feiras da Informa, em comparação com 2024.
Estande sustentável também é argumento de custo
Wielgus e Jörg Zeissig, presidente da IFES e copresidente da iniciativa, insistem que a história não é só ambiental. Estandes reaproveitáveis reduzem o custo para o expositor e o tempo de montagem e desmontagem. Wielgus usou a comparação com peças de montar que se encaixam, desmontam e voltam a ser usadas, em vez de recomeçar a cada evento.
Zeissig também rebate a ideia de que um estande marcante precisa ser construído do zero. Segundo ele, há exemplos de estandes reutilizáveis em várias partes do mundo que atendem a projetos de alto padrão.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O dado mais relevante para o leitor brasileiro está no fim da reportagem: Wielgus citou o Brasil entre os mercados mais promissores na adoção da Better Stands. Os Estados Unidos estão mais adiantados, o que ele atribui à maior compreensão da economia gerada, enquanto Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina ganham ritmo.
Zeissig ponderou que as barreiras são reais: maturidade de mercado, cadeia de fornecimento local e acesso a sistemas reutilizáveis, armazenagem, logística, reciclagem e avaliadores treinados variam de região para região.
Para montadoras e cenógrafas brasileiras, isso abre uma frente comercial:
- Critério claro na proposta: apresentar o estande modular com base numa metodologia reconhecida dá ao cliente um argumento verificável, em vez de um genérico "sustentável".
- Conta completa: mostrar ao expositor o custo de várias feiras com o mesmo estande, incluindo armazenagem e transporte, e não só o da primeira montagem.
- Estrutura de guarda: reutilizar exige espaço de armazenagem e logística entre eventos. Quem já tem essa estrutura sai na frente.
Para o expositor menor, a recomendação de Zeissig vale aqui também: não é preciso ter uma equipe de sustentabilidade para começar. Basta perguntar à montadora quais elementos podem ser reutilizados e priorizá-los na próxima feira.
Fonte: Trade Show News Network (TSNN), publicado em 13/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.