O balanço do terceiro trimestre da GL events, grupo francês que atua em montagem, gestão de espaços e organização de feiras, traz um retrato útil do mercado de eventos 2026: forte crescimento em grandes eventos e locais, e queda na divisão de feiras, puxada pelo calendário. O grupo tem operações no Brasil, o que torna os números ainda mais relevantes para quem trabalha aqui.
Segundo a Exhibition News, a GL events registrou receita de € 415,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 44,3%. No acumulado de nove meses, a receita chegou a € 1,4 bilhão, crescimento de 19,4%. As operações internacionais responderam por 55% da receita do período, contra 52% um ano antes. O grupo elevou a projeção para o ano.
Mercado de eventos 2026: três divisões, três ritmos
- Live (serviços e montagem para grandes eventos): € 246,2 milhões no trimestre e € 790,6 milhões em nove meses, alta de 25,1%. A maior contribuição veio dos Jogos Asiáticos de Aichi-Nagoya, no Japão, além da Esports World Cup, de uma cúpula de chefes de Estado em Durban e da COP17 sobre desertificação, na Mongólia.
- Venues (gestão de espaços): € 136,7 milhões no trimestre e € 434,8 milhões em nove meses, alta de 23,9%, com agenda cheia de shows no Stade de France.
- Exhibitions (organização de feiras): € 33 milhões no trimestre e € 156,8 milhões em nove meses, queda de 19,3%.
O grupo atribuiu o recuo das feiras a um ciclo desfavorável de eventos bienais e a dificuldades persistentes no mercado chinês, sobretudo nos segmentos de construção, reforma e moda. Descontado o efeito das bienais, a receita de nove meses da divisão teria crescido 12,8%.
O Brasil no balanço
O país aparece em mais de um ponto do relatório. Na divisão de feiras, a GL events cita a realização da Estetika e da ExpoPostos no Brasil. Na divisão de espaços, menciona atividade forte no Rio de Janeiro, em Salvador e em São Paulo. E o grupo informou que iniciou conversas sobre a possível venda da arena que opera no Rio de Janeiro, depois de receber uma manifestação de interesse.
Em 2 de outubro, a empresa anunciou que recebeu o contrato para administrar e operar o centro de convenções de Lima, no Peru, o que reforça a presença na América do Sul.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O ponto central para o fornecedor brasileiro é o efeito calendário. Feiras bienais concentram receita em anos alternados, e um prestador que depende delas sente a oscilação no caixa. O caso da GL events mostra como uma carteira diversificada compensa: enquanto as feiras recuavam, grandes eventos esportivos, institucionais e de entretenimento sustentaram o crescimento.
Algumas lições práticas para montadoras, locadoras e prestadores de serviço:
- Mapeie o seu calendário: identifique quanto da receita vem de feiras bienais e prepare-se para os anos fracos com antecedência.
- Diversifique a carteira: eventos corporativos, esportivos, shows e eventos institucionais têm ciclos diferentes e podem equilibrar o fluxo.
- Leia o desempenho com ajuste: comparar um ano de bienal com outro sem bienal distorce a análise. O próprio grupo apresenta o número ajustado para mostrar a tendência real.
- Acompanhe os grandes grupos: a eventual venda de um espaço como a arena carioca do grupo pode mudar a gestão, a agenda e os fornecedores credenciados do local.
Para quem presta serviço a pavilhões e arenas no Brasil, vale ficar atento aos próximos passos da negociação no Rio, que ainda está em fase inicial segundo o grupo.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 15/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.