A Informa, que se apresenta como a principal operadora internacional de eventos B2B, vai ficar ainda maior. O grupo anunciou em 6 de outubro a compra da Clarion Events, controlada pelo fundo Blackstone, num movimento de aquisição de organizadoras de feiras que vem redesenhando o setor.
Segundo a Trade Show News Network (TSNN), veículo que pertence à própria Informa, a operação avalia a Clarion em US$ 2,96 bilhões (£ 2,24 bilhões), com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias. O comunicado da Clarion confirma o negócio e informa que, para clientes, expositores, patrocinadores e fornecedores, as operações seguem normalmente.
O que a Informa leva
A Clarion, com sede no Reino Unido, reúne mais de 100 marcas de eventos B2B. Entre as mais conhecidas estão a IFA Berlin (eletrônicos), a DSEI (defesa e segurança), a ICE Barcelona (jogos), a ITC Vegas (tecnologia) e a Distributech (energia). Segundo a TSNN, a Informa espera que a Clarion gere mais de US$ 760 milhões em receita em 2027, com margem operacional ajustada acima de 30%.
Depois da compra, o portfólio de eventos B2B da Informa deve superar US$ 6 bilhões de receita anual, com cerca de 1.000 marcas especializadas em mais de 40 categorias de mercado e mais de 30 países. A CEO da Clarion, Lisa Hannant, permanece no cargo e passa a integrar a liderança executiva da Informa.
A aquisição vem junto com outro anúncio: a Informa vai iniciar o processo de separação da Taylor & Francis, sua editora acadêmica, para concentrar o grupo no negócio B2B. Para o executivo-chefe Stephen A. Carter, a Clarion amplia a presença da Informa em mercados especializados.
A Blackstone, que investiu na Clarion em 2017, afirma no comunicado da organizadora britânica que vê a Informa como a parceira ideal para a próxima fase da empresa.
Aquisição de organizadoras de feiras: a concentração avança
O negócio não é isolado. Em análise publicada em outubro, a consultoria de fusões e aquisições Oaklins DeSilva+Phillips classificou a compra da Clarion como o quarto grande negócio de feiras em seis meses. A tendência é de poucos grupos, com muito capital, controlando marcas líderes em vários setores e países.
Para quem expõe, concentração pode significar mais investimento em tecnologia, dados e alcance internacional, que é o argumento dos compradores. Mas também traz a pergunta de sempre quando o número de grandes organizadoras diminui: há menos alternativas na hora de negociar espaço e serviços?
O que isso muda para o mercado brasileiro
Para o expositor brasileiro que viaja para feiras como a IFA Berlin ou a ICE Barcelona, nada muda de imediato. A Clarion diz que a operação segue normal, e a conclusão do negócio ainda depende de aprovações. Mas vale acompanhar nas próximas edições:
- mudanças em política de preços, pacotes e serviços obrigatórios;
- integração de plataformas de inscrição, aplicativos e dados de visitantes;
- alterações de datas ou cruzamento de calendário com outras feiras do mesmo grupo.
Para o organizador independente no Brasil, o movimento reforça o que os grandes grupos valorizam: marcas líderes em nichos bem definidos, com público fiel e receita recorrente. Isso vale como referência mesmo para quem não pensa em vender, porque são as mesmas qualidades que garantem a renovação de expositores ano após ano.
E para os fornecedores que atendem feiras internacionais com participação brasileira, como montadoras e operadores de pavilhão coletivo, a concentração pode significar contratos maiores e padronizados, com exigências comuns a todo o portfólio do grupo.
Fonte: Trade Show News Network (TSNN), publicado em 06/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.