Enquanto os negócios bilionários entre grandes grupos chamam mais atenção, uma aquisição concluída no verão europeu mostra outra face da consolidação: a de organizadoras de feiras na Europa que crescem somando portfólios de nicho. A belga Easyfairs concluiu a compra de 100% da Xpo Group, também belga, que organiza 61 eventos em 17 países europeus.
Segundo o comunicado oficial da Easyfairs, publicado em 3 de agosto, a operação foi concluída em 31 de julho de 2026, depois de uma oferta pública voluntária anunciada em 13 de maio. Na primeira rodada, 99,99% dos acionistas aceitaram vender, e a oferta foi reaberta, conforme as regras belgas, até 30 de julho.
O que a Xpo Group organiza
O portfólio da Xpo Group cobre setores como construção e design de interiores, energia renovável, indústria e tecnologia, alimentação, varejo e marketing. Entre as séries mais conhecidas estão:
- ARCHITECT@WORK, voltada a arquitetos e especificadores, presente em 13 países europeus;
- Design Nation, outra série ligada a design;
- Solar Solutions, dedicada à energia solar.
A empresa também opera o centro de exposições Kortrijk Xpo, em Flandres, que recebe eventos próprios e de terceiros. Boa parte do faturamento da Xpo Group vem de fora da Bélgica, o que complementa as atividades internacionais da Easyfairs.
O CEO do grupo Easyfairs, Matt Benyon, disse que a compra abre espaço para expansão na Europa e nos Estados Unidos e para produtos digitais que estendam o valor das marcas ao longo do ano. Anne Lafère, também CEO do grupo, destacou a complementaridade entre as duas empresas, ambas construídas a partir de conceitos de feiras especializadas.
Organizadoras de feiras na Europa e o modelo de formato replicável
O que chama atenção no caso não é o tamanho, e sim o modelo. A ARCHITECT@WORK é um exemplo de formato que funciona em vários países com a mesma lógica: público bem definido, expositores que atendem a esse público e um padrão de evento que pode ser replicado em outras cidades sem reinventar tudo a cada edição.
As duas empresas dizem compartilhar a ideia de que expor deve ser simples e trazer retorno para o expositor, e que visitar deve valer o tempo do visitante. Isso se traduz, segundo o comunicado, em formatos de evento, pacotes de estande padronizados, ferramentas digitais e serviços no local.
Outro ponto do negócio é a rede de pavilhões. Muitos eventos do portfólio combinado acontecem em espaços operados pelas próprias empresas, na Bélgica, na Holanda e na Escandinávia. Ter organizadora e local sob o mesmo controle dá mais flexibilidade de datas e de custo.
O que isso muda para o mercado brasileiro
A notícia é europeia, mas o modelo merece estudo por organizadores brasileiros. Feiras de nicho com formato replicável podem ser uma forma de crescer sem depender de um único grande evento por ano. Algumas lições:
- Formato antes de escala: um conceito de feira bem definido (público, tamanho, tipo de estande, duração) é o que permite levá-lo a outras capitais com previsibilidade de custo.
- Estande padronizado: pacotes prontos baixam a barreira de entrada para o expositor menor e simplificam a operação.
- Comunidade local: replicar o formato não significa copiar o conteúdo. Cada praça precisa de expositores e visitantes da região, e de parceiros locais que conheçam o setor.
- Relação com o pavilhão: acordos de longo prazo com centros de convenções em várias cidades ajudam a montar um calendário estável.
Para o expositor brasileiro que atua em arquitetura, construção, energia solar ou alimentação e pensa na Europa, a mudança de dono das feiras da Xpo Group também merece acompanhamento: novos donos costumam rever preços, pacotes e calendário nas edições seguintes.
Fonte: Easyfairs (comunicado oficial), publicado em 03/08/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.