O Brasil tem a sétima maior área coberta para feiras do mundo. É o que mostra a edição 2026 do World Map of Exhibition Venues, o levantamento de pavilhões de exposição publicado pela UFI, a associação global da indústria de feiras, e produzido pela consultoria jwc. O estudo considera locais com pelo menos 5.000 m² de área interna e traz dados de 31 de dezembro de 2025.
Segundo a TTGmice, a manchete global é a virada da Ásia-Pacífico, que passou a liderar também entre os megapavilhões. Os números do Brasil estão no relatório completo da UFI, disponível para download gratuito.
O retrato global
A capacidade interna para exposições no mundo chegou a 45,2 milhões de m², distribuídos em 1.565 locais, com 35 locais e cerca de 0,9 milhão de m² a mais que no ano anterior. A Ásia-Pacífico concentra 38,3% do total (17,3 milhões de m²), à frente da Europa (35,8%) e da América do Norte (16,7%).
A região agora tem 41 pavilhões com 100.000 m² ou mais, contra 38 na Europa; um ano antes, as duas estavam empatadas. O maior do mundo continua sendo o complexo da Canton Fair, em Guangzhou, com 504.000 m². No ranking de países, a China tem 30,7% de toda a área, seguida por Estados Unidos (13,9%) e Alemanha (7,0%). Com Itália e França, os cinco primeiros somam quase 63% do total. Ao todo, 22 países têm mais de 300.000 m² de área interna.
Apesar dos gigantes, o mundo das feiras é feito de pavilhões menores: 62% dos locais têm menos de 20.000 m², 33% ficam entre 20.000 e 99.999 m² e só 5% (84 locais) passam de 100.000 m².
Onde entra o Brasil
Pelo relatório da UFI, o Brasil soma 1.546.432 m² em 80 locais, o que equivale a 3,4% da área mundial e coloca o país em sétimo lugar, logo atrás da Espanha. Na América Central e do Sul, o Brasil responde por 72% de toda a área da região, muito à frente de Argentina (6,1%) e Colômbia (5,1%).
Dos 80 locais brasileiros, 52 são pequenos, 28 são médios e nenhum chega a 100.000 m². A América Central e do Sul é, aliás, a única região do mundo sem um pavilhão desse porte, e tem o menor tamanho médio por local (17.327 m², contra 39.238 m² na Ásia-Pacífico). Os maiores do país, segundo a UFI, são o São Paulo Expo (77.305 m²), o Expo Center Norte (75.743 m²) e o Distrito Anhembi (75.650 m²), todos na capital paulista, seguidos por Riocentro, no Rio de Janeiro, Parque de Exposições da Festa da Uva, em Caxias do Sul, e ExpoBrasília.
A região, somada ao Oriente Médio e à África, passou de 8,4% para 9,3% da capacidade mundial, sinal de que mercados emergentes estão ampliando sua estrutura física.
Tamanho não é tudo
O presidente da jwc, Jochen Witt, ponderou que aumentar a área não deve ser o objetivo principal de quem administra destinos. Para ele, o sucesso depende cada vez mais de ajustar capacidade e qualidade de serviço à demanda real de cada mercado, já que locais com menos de 20.000 m² seguem plenamente suficientes para muitos mercados regionais.
Na leitura da Agenda de Feiras, o recado serve bem ao Brasil. O país tem área relevante, mas espalhada por dezenas de pavilhões, muitos deles parques de exposição no interior, ligados ao agronegócio. Para organizadores, isso significa opções fora do eixo das capitais; para expositores e fornecedores, um calendário que se distribui por muitas cidades. Para quem planeja crescer, a pergunta não é só quantos metros quadrados existem, mas quais pavilhões entregam o serviço que cada feira precisa.
Fonte: TTGmice, publicado em 19/10/2026, e UFI, World Map of Exhibition Venues 2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem e do relatório originais.