Hong Kong decidiu usar dinheiro público para trazer feiras novas à cidade, e a primeira contemplada abre as portas nesta semana. A Festival of Connoisseurs, organizada pela Informa Markets, acontece de 4 a 6 de novembro no AsiaWorld-Expo e é a primeira exposição subsidiada pelo governo local, segundo o TTGmice.
O apoio vem de uma iniciativa de HK$ 100 milhões (cerca de US$ 12,8 milhões) criada para atrair grandes eventos internacionais. De acordo com o Departamento de Comércio e Desenvolvimento Econômico de Hong Kong (CEDB), o dinheiro é reservado para exposições internacionais de grande porte, de alta qualidade e com elementos novos. O objetivo declarado é transformar a cidade na primeira escolha para lançar marcas da China continental e do exterior e atrair visitantes de negócios de alto gasto.
A cidade como showroom
A feira reúne iates, carros de luxo, alta joalheria, relógios, aviação privada, arte e viagens premium. O que mais chama atenção, porém, é o formato. Batizado de "City-as-your-showroom" ("a cidade como seu showroom"), o modelo sai dos pavilhões e incorpora áreas à beira-mar de Hong Kong.
Segundo o anúncio da Informa Markets, a exposição principal, nos pavilhões 3 e 6, é organizada em nove "mundos" temáticos e voltada sobretudo para o setor, colecionadores e apreciadores, com ingresso pago e inscrição antecipada. Em paralelo, três atividades abertas ao público vão de 1º a 8 de novembro: passeios gratuitos pelo porto de Victoria a partir do Central Pier 10, uma vitrine náutica ao ar livre no próprio AsiaWorld-Expo, com entrada gratuita mediante inscrição, e o salão náutico Festa Nautica, no Lantau Yacht Club, em Discovery Bay.
A programação inclui palestras do especialista em relógios Carson Chan e de Michael Ellis, ex-diretor internacional do Guia Michelin. A organizadora trata a edição de 2026 como um lançamento e diz que pretende ampliar a escala e o conteúdo no próximo ano.
Feira como política econômica
Para o governo, a lógica vai além do evento. O secretário de Comércio e Desenvolvimento Econômico, Algernon Yau, afirmou que feiras desse tipo ajudam a movimentar o consumo local, o turismo, os serviços profissionais e outras atividades ligadas ao setor. Ele disse ainda que o governo vai continuar buscando grandes exposições internacionais, com temas variados, para consolidar Hong Kong como plataforma de mão dupla: marcas da China continental ganham o mundo e marcas internacionais chegam ao mercado chinês.
Segundo o CEDB, o próprio departamento e a operadora do AsiaWorld-Expo trabalharam juntos para viabilizar a vinda da feira.
O que isso muda para o mercado brasileiro
- Destinos e governos: o caso mostra um modelo de captação que apoia diretamente uma feira comercial nova, com critérios claros de porte, internacionalização e inovação, e não apenas congressos e convenções.
- Organizadores: levar parte da feira para fora do pavilhão, com atividades gratuitas para o público, amplia a visibilidade sem abrir mão de uma área exclusiva e paga para compradores qualificados.
- Centros de exposição: a parceria entre poder público e operador do local para atrair eventos é parte da competição internacional por calendário.
- Expositores de alto padrão: formatos que misturam negócio e experiência podem fazer mais sentido do que o estande tradicional para produtos que precisam ser vistos, tocados ou testados.
Para a Agenda de Feiras, a estreia em Hong Kong confirma que as cidades estão disputando feiras com dinheiro e estratégia, e que o formato do evento também virou argumento de venda.
Fonte: TTGmice, publicado em 02/11/2026, com informações do CEDB e da Informa Markets. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.