Empresas que gastam milhões de dólares por ano com eventos corporativos, mas sem uma área dedicada a organizá-los. É o retrato que surge de uma pesquisa da Skift Meetings com profissionais de eventos internos de empresas, e ele ajuda a entender quem realmente decide a contratação de fornecedores.
Segundo a Skift Meetings, o levantamento ouviu mais de 100 profissionais de eventos corporativos, de setores como finanças, tecnologia, saúde e indústria. Só 20% disseram ter um departamento formal de eventos.
Muito dinheiro, pouca estrutura
Os números de gasto chamam atenção. Entre as empresas pesquisadas:
- 35% gastam de US$ 1 milhão a US$ 5 milhões por ano com eventos;
- 20% gastam de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões;
- 31% gastam mais de US$ 10 milhões.
Mas a estrutura não acompanha. Mais da metade das equipes (53%) fica no marketing, 8% em vendas, 4% em recursos humanos e o restante espalhado pela empresa. A equipe média tem 11 pessoas, e a maioria organiza mais de dez eventos por ano, com público médio de 280 pessoas. Os mais comuns são encontros internos, seguidos de reuniões de diretoria e conselho, eventos com clientes e participação em feiras.
Com equipes enxutas e demanda irregular, 56% das empresas recorrem a terceirizados, da busca de locais à operação do credenciamento. Quase metade (47%) trabalha com orçamento estável em 2026, e só 8% tiveram aumentos de 5% a 10%, o necessário para acompanhar a alta de custos, segundo a publicação.
A pressão por retorno
Poucos eventos (11%) têm a expectativa de dar lucro; 56% são tratados como item de orçamento, sem expectativa de receita. Mesmo assim, a cobrança por resultado aumentou. Pesquisas de satisfação já não bastam. Bernadette Mari, diretora global de eventos da empresa de tecnologia para hotelaria Duetto, resumiu a mudança: cada vez mais, a prova de valor precisa ser "um número, não uma narrativa".
Eventos corporativos: o que isso muda para o mercado brasileiro
A pesquisa é americana e não deve ser lida como retrato do Brasil. Mas o desenho que ela mostra, com eventos espalhados por várias áreas e decisão concentrada no marketing, ajuda o fornecedor brasileiro a calibrar a proposta comercial:
- Fale a língua do marketing: se quem decide está no marketing, a proposta precisa conversar com metas de marca, geração de demanda e relacionamento com clientes, e não só com logística e preço.
- Ajude a provar o retorno: fornecedores que entregam dados (presença, engajamento, leads, satisfação) facilitam a vida de quem precisa justificar o investimento ao financeiro.
- Seja a equipe que falta: com áreas enxutas e demanda irregular, há espaço para quem oferece serviço completo ou equipe sob demanda, da contratação de local à operação no dia.
- Mapeie os decisores: numa mesma empresa, eventos de vendas, RH e diretoria podem ter responsáveis diferentes. Conhecer cada um amplia as oportunidades.
- Pense em eventos menores: jantares, reuniões de conselho e encontros com clientes aparecem com frequência na pesquisa. São formatos que exigem atenção a detalhe e podem gerar relacionamento recorrente.
Para o fornecedor, o ponto central é que o cliente corporativo raramente tem tempo e estrutura sobrando. Quem resolve problemas e ajuda a mostrar resultado tende a virar parceiro fixo, e não só mais uma cotação.
Fonte: Skift Meetings, publicado em 10/09/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.