A inflação perde força, mas os preços dos eventos não voltam ao que eram. Essa é a principal conclusão de um novo índice de preços da Maritz, empresa americana de eventos e incentivos, que mostra itens com alta de até 146% desde 2019 e ajuda a entender a pressão sobre os custos de eventos.
Segundo a Skift Meetings, a Maritz reuniu preços de hotéis, empresas de receptivo e escritórios de destino num grande mercado de convenções dos Estados Unidos para criar o Maritz Event Price Index.
Os números do índice
Alguns exemplos citados pela publicação:
- um centro de mesa de coquetel que custava US$ 25 em 2025 deve custar US$ 40 em 2027, alta de 60%;
- um traslado de ida que custava US$ 142 em 2025 deve chegar a US$ 184 em 2027, alta de 30%;
- um trio musical de US$ 5.000 em 2025 deve passar a US$ 6.700 no próximo ano, alta de 34%;
- a passagem aérea doméstica de ida e volta, que a empresa orçava em US$ 400, hoje é orçada em cerca de US$ 650.
Para frente, a Maritz projeta alta de cerca de 6% no custo por participante em 2026 e de mais 1% a 2% em 2027. Hotéis devem subir de 4% a 6% neste ano e de 1% a 2% no próximo; aéreo, de 10% a 20% em 2026; alimentos e bebidas, de 3% a 5% em 2027.
O diretor de operações da Maritz, Steve O'Malley, aponta a entrada de fundos de private equity em empresas de produção, audiovisual e decoração como um possível fator de maior disciplina de preços entre fornecedores. Ele também avalia que companhias aéreas e hotéis estão mais firmes em manter preços do que em crises passadas.
Custos de eventos: refazer, não só cortar
A reação das empresas, segundo a Maritz, não tem sido cancelar eventos, e sim redesenhá-los. Um cliente do setor automotivo reduziu uma convenção de concessionários de três para dois dias e, ainda assim, cumpriu os objetivos. Nas viagens de incentivo, a média caiu de 4,6 para 4,3 noites entre 2024 e 2026, e as empresas também reduziram o número de premiados, escolheram destinos mais baratos e cortaram brindes.
O recado de O'Malley é que o erro está em tentar repetir o evento do ano anterior gastando um pouco menos. A saída é repensar o formato a partir dos objetivos.
O que isso muda para o mercado brasileiro
Os números são de um mercado americano e não devem ser aplicados diretamente ao Brasil, onde câmbio, inflação e estrutura de custos são outros. A dinâmica, porém, é familiar a qualquer fornecedor: o cliente tem orçamento parecido com o do ano anterior, e os custos subiram.
Algumas formas de lidar com isso sem perder o contrato:
- Explique o reajuste item a item: mostrar de onde vem o aumento (insumos, mão de obra, transporte) gera mais confiança do que um percentual geral.
- Ofereça opções de escopo: apresentar duas ou três versões da proposta, com o que muda em cada uma, ajuda o cliente a decidir onde cortar sem comprometer o essencial.
- Proponha redesenho: um dia a menos, menos itens decorativos com mais impacto ou um formato diferente podem entregar o mesmo objetivo por menos, como no exemplo da convenção automotiva.
- Combine reajuste no contrato: para eventos fechados com muita antecedência, critérios claros de correção evitam conflito depois.
- Proteja a margem: absorver custos para manter o cliente pode funcionar uma vez, mas não é estratégia de longo prazo.
Para organizadores e departamentos de eventos, a lição é a mesma que a Maritz dá aos seus clientes: começar o planejamento pelos objetivos, e não pela planilha do ano passado.
Fonte: Skift Meetings, publicado em 14/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.