Para muitos expositores, o problema não está em captar contatos durante a feira, e sim no que acontece depois: cartões esquecidos na mochila, anotações ilegíveis e planilhas que chegam ao time comercial semanas mais tarde. O follow-up pós-feira é justamente o alvo de uma atualização anunciada pela Zuant, empresa britânica de captação de leads em eventos.
Segundo a Exhibition News, a Zuant reformulou sua plataforma para reunir num só sistema as ferramentas que as empresas usam para coletar e dar sequência aos leads de eventos. A proposta é substituir a contratação de leitores de crachá feira a feira e os processos manuais, levando os contatos direto para o CRM e para as ferramentas de marketing.
O que a IA passa a fazer no follow-up pós-feira
Entre as novidades descritas pelo veículo:
- Leitura de anotações à mão e cartões de visita em vários idiomas, com preenchimento automático dos campos de contato.
- Leitura de crachá em grupo: várias pessoas da mesma empresa que visitam o estande juntas podem ser registradas como um único lead.
- Distribuição automática para o vendedor certo, conforme região ou interesse por produto.
- Comparação de dados de leads entre todos os eventos da empresa, num só lugar.
O CEO da empresa, Pete Gillett, defende que quem investe parte relevante da verba de marketing em eventos precisa conseguir rastrear esse dinheiro até as oportunidades e a receita.
Verba sob pressão
A Zuant apoia o argumento numa pesquisa da Forrester com mais de 400 tomadores de decisão em eventos, citada pela Exhibition News. Dois terços das organizações têm orçamento de eventos estável ou em queda, e quase 70% estão reduzindo o número de eventos que realizam. Entre as empresas com tecnologia de eventos bem integrada, 62% se dizem satisfeitas com o desempenho dos eventos; entre as que não têm essa integração, o índice é de 37%.
É um dado apresentado por um fornecedor interessado em vender integração, o que pede leitura cuidadosa. Ainda assim, a lógica é conhecida de qualquer gerente de marketing: quando a verba aperta, os eventos que não mostram resultado são os primeiros a sair do plano.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O expositor brasileiro não precisa esperar uma ferramenta nova para melhorar o pós-feira. A maior parte do ganho vem de processo. Um roteiro simples:
- Antes da feira: combine com o time comercial quem recebe os leads de cada região ou linha de produto e em quanto tempo. Uma meta curta, de até 48 horas, por exemplo, ajuda a não perder o interesse do visitante.
- Durante: padronize a anotação. Três campos bastam: interesse, urgência e próximo passo combinado. Evite o "falar depois" genérico.
- Visitas em grupo: quando várias pessoas da mesma empresa passam pelo estande, registre-as juntas para não gerar três contatos soltos para três vendedores diferentes.
- Depois: importe tudo no CRM no fim de cada dia, não no fim da feira. Cartões e anotações à mão devem ser digitalizados no mesmo dia.
- Medição: marque a origem de cada lead com o nome da feira, para saber meses depois quanto daquele evento virou negócio.
Ferramentas que leem cartões e distribuem leads automaticamente aceleram esse processo, mas não o substituem. E, na hora de defender a verba de feiras no planejamento do ano seguinte, ter a trilha do lead até a venda é o argumento mais forte que o expositor pode apresentar.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 12/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.