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IA pode aumentar a procura por encontros presenciais, diz executivo
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IA pode aumentar a procura por encontros presenciais, diz executivo

A inteligência artificial pode acabar sendo uma das melhores notícias para quem vive de encontros presenciais. Essa é a aposta de um executivo do setor de hotelaria e eventos ouvido durante a IMEX America 2026, em Las Vegas, e ela toca num ponto central da relação entre eventos presenciais e IA: quanto mais fácil fica falsificar o digital, mais vale o contato pessoal.

Segundo a Skift Meetings, o diretor de vendas da Caesars Entertainment, Michael Massari, acredita que o aumento do uso de IA vai impulsionar a procura por encontros cara a cara. Ele disse à publicação que a IA tornará os encontros "ainda mais importantes".

A confiança como ativo

O raciocínio de Massari parte de uma previsão feita pelo empresário Mark Cuban em junho de 2025: vídeos gerados por IA ficariam tão convincentes que as pessoas teriam dificuldade de separar o real do falso, o que levaria a uma explosão de interações presenciais. Se qualquer vídeo, voz ou mensagem pode ser fabricado, conhecer alguém pessoalmente passa a ser uma forma mais segura de estabelecer credibilidade.

A própria indústria de IA, nota a reportagem, reconhece a questão. Sam Altman, cofundador da OpenAI, está por trás de uma iniciativa chamada World, que busca verificar se alguém é de fato um ser humano por meio de leitura dos olhos e do rosto. Segundo a publicação, o sistema tinha mais de 18 milhões de pessoas registradas em meados de outubro.

Eventos presenciais e IA: o paradoxo

A reportagem da Skift aponta também o outro lado. O profissional típico passa cerca de 87 minutos por dia conversando com IA, segundo dados da BambooHR citados pela publicação. E a socióloga Sherry Turkle, em participação recente no podcast de Ezra Klein, alertou que o uso intenso de chatbots pode estar reduzindo nossa habilidade de lidar com pessoas: quem se acostuma com máquinas que concordam sem atrito pode se frustrar com interlocutores humanos.

Daí o paradoxo do título original: a IA pode aumentar a demanda por encontros, mas entregar a conexão humana que o público procura pode ser mais difícil do que o setor imagina. A pergunta que fica, segundo a Skift, é como os eventos podem estimular o tipo de divergência saudável e diálogo que torna um encontro valioso.

O que isso muda para o mercado brasileiro

A discussão é global, e a reportagem não traz dados sobre o Brasil. Mas a ideia do estande como lugar de confiança é diretamente aplicável a quem expõe em feiras aqui. Se informação sobre produto está disponível em qualquer lugar, e cada vez mais mediada por IA, o que o visitante vai buscar no estande é o que não se encontra na tela:

  • Demonstração ao vivo: ver o produto funcionando, tocar, testar e fazer perguntas a quem entende do assunto.
  • Conversa com especialista: equipe técnica no estande, e não só promotores com roteiro decorado.
  • Menos folheto, mais diálogo: material impresso pode ser enviado depois; o tempo no estande deve ser usado para entender a necessidade do visitante.
  • Relacionamento: a feira é o momento de colocar rosto em contatos que até então eram só e-mails e videochamadas.
  • Espaço para conversa: mesas e áreas de reunião confortáveis valem mais que telas grandes com vídeo institucional em repetição.

Para organizadores, a reflexão é semelhante: formatos que favorecem conversa real, como mesas-redondas, rodadas de negócios e encontros em pequenos grupos, tendem a ganhar valor. Num mundo em que tanta coisa pode ser simulada, a feira é um dos poucos lugares em que a presença não pode ser falsificada.

Fonte: Skift Meetings, publicado em 20/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.

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