Organizar uma reunião de 20 pessoas exige quase os mesmos passos de um congresso de mil participantes: buscar o local, negociar, aprovar o orçamento, fechar contrato e pagar fornecedores. A diferença é que a reunião pequena rende muito menos para quem faz a gestão. É nesse descompasso que a Naboo, empresa de tecnologia para reuniões e eventos, está apostando ao comprar a britânica pro-ven.
Segundo a Skift Meetings, a aquisição eleva para US$ 300 milhões por ano o volume de gastos com reuniões e eventos administrado pela Naboo. Os valores do negócio não foram divulgados.
O que foi comprado
Fundada em 2005, a pro-ven é especializada em busca de locais, negociação com fornecedores, gestão de contratos e pagamentos para clientes corporativos e associações. Ela responde por cerca de US$ 30 milhões em volume bruto anual de transações, aproximadamente 10% do total combinado. Antes da compra, a Naboo administrava cerca de US$ 270 milhões por ano. A pro-ven passa a ser a sede da empresa no Reino Unido, e o fundador e diretor-geral, Julian Laxon, continua no cargo.
É a segunda aquisição da Naboo, criada em 2022. A primeira foi a francesa Bizmeeting, em 2024. O negócio vem depois de uma rodada de investimento de US$ 70 milhões neste ano e de uma expansão para a Ásia-Pacífico. Ao todo, a empresa captou cerca de US$ 100 milhões em três anos e tem oito escritórios, entre eles Nova York, São Francisco, Londres e Singapura.
De US$ 300 para US$ 10
O número que mais chama atenção é outro. A Naboo afirma ter reduzido o próprio custo interno de gerenciar um evento de cerca de US$ 300 para US$ 10, com inteligência artificial assumindo as tarefas administrativas. A plataforma reúne busca de locais, negociação de contratos, aprovações, faturamento e pagamentos, e consolida as cobranças de fornecedores de alimentação, transporte, entretenimento e atividades de integração.
"A IA é o único jeito de atender pequenas reuniões e eventos em escala, que são a verdadeira dor das grandes organizações", disse o CEO, Maxime Eduardo. Para ele, empresas de gestão de reuniões com pouca tecnologia vão virar alvo de compra de concorrentes focados em IA. "Quem não tem tecnologia, ou tem pouca, vai perder participação de mercado", afirmou, lembrando que esses players ainda têm ótimas carteiras de clientes.
A Naboo estima o mercado de reuniões e eventos corporativos em US$ 400 bilhões, boa parte dele fragmentada entre agências locais, fornecedores e departamentos internos.
A disputa pelo orçamento das reuniões
A Naboo não está sozinha. A reportagem lembra que a Navan comprou recentemente a BoomPop, plataforma de eventos corporativos com IA, e que a American Express Global Business Travel segue oferecendo gestão estratégica de reuniões. A Naboo diz que procura novas aquisições, principalmente nos Estados Unidos.
Na leitura da Skift, se a tese se confirmar, a área de compras passa a controlar uma categoria que tradicionalmente pertence a organizadores e agências locais.
O que isso muda para o mercado brasileiro
- Agências e organizadores: o valor do serviço tende a migrar da operação administrativa, que a automação barateia, para o relacionamento, a curadoria de locais e o desenho da experiência.
- Áreas de compras: reuniões pequenas, muitas vezes contratadas de forma avulsa por cada departamento, entram no radar de centralização, com consolidação de notas e regras de aprovação.
- Hotéis, espaços e fornecedores: quem tiver disponibilidade, preços e condições organizados em formato digital fica mais fácil de ser encontrado e contratado por plataformas.
- Leitura com cautela: o custo de US$ 10 por evento é um dado divulgado pela própria empresa, sobre a operação interna dela, e não um preço cobrado do cliente.
Para a Agenda de Feiras, o caso mostra que a IA começa a mexer não só na experiência do participante, mas também na conta de quem organiza.
Fonte: Skift Meetings, publicado em 28/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.