Número de inscritos, taxa de renovação de expositores, pesquisa de satisfação e a experiência de quem está na equipe há anos: é com essa combinação que a maioria das feiras avalia se foi bem ou mal. Uma empresa dos Emirados Árabes Unidos aposta que há espaço para um método único e comparável de indicadores de desempenho de feiras, e acaba de levar esse método aos Estados Unidos.
Segundo a Exhibition News, a Powerscore concluiu a primeira implantação americana do seu Event Powerscore Index, em parceria com a prestadora de serviços para eventos Shepard. Com isso, a ferramenta passou a operar em quatro mercados.
De projetos-piloto a portfólios inteiros
Antes dos Estados Unidos, o índice já tinha sido aplicado com a Index Holding, nos Emirados, com a Connect Through Us, em Omã, e com a dmg events na Big 5 Nigeria, em Lagos. A novidade, segundo a empresa, é que os primeiros clientes passaram da fase de teste para o uso em escala: a Connect Through Us contratou a ferramenta para todas as suas feiras de 2027, e a Index Holding também confirmou o portfólio do próximo ano.
O argumento central é a comparabilidade. Em vez de cada feira ser avaliada por um conjunto diferente de dados, a mesma estrutura de medição é aplicada a todas, o que permite comparar eventos de um mesmo portfólio em igualdade de condições. Executivos das duas organizadoras ouvidos pela publicação destacaram justamente isso: entender cada feira pela mesma lente e identificar onde há espaço para melhorar.
A reportagem não detalha a metodologia nem quais indicadores compõem o índice, o que é natural num produto comercial, mas deve ser considerado por quem avaliar ferramentas desse tipo.
Indicadores de desempenho de feiras: por que medir do mesmo jeito
O problema que a Powerscore diz resolver é conhecido. Cada edição de uma feira costuma ser avaliada com dados que mudam de um ano para o outro: a pesquisa de satisfação ganha ou perde perguntas, o critério de contagem de público muda, a equipe que fazia o relatório sai da empresa. No fim, comparar a edição atual com a de dois anos atrás vira um exercício de memória.
Para quem tem mais de um evento, o desafio é ainda maior. Sem critério comum, é difícil dizer qual feira do portfólio está crescendo de forma saudável e qual depende de poucos expositores grandes.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O organizador brasileiro não precisa de uma ferramenta estrangeira para começar a medir de forma consistente. O ganho principal vem de disciplina. Algumas práticas que ajudam:
- Congele o questionário: mantenha um núcleo fixo de perguntas na pesquisa com expositores e visitantes, edição após edição. Novas perguntas podem entrar, mas o núcleo não muda.
- Defina critérios de público: deixe claro o que conta como visitante, credenciado ou presente, e publique o método. Isso dá credibilidade aos números que vão para o material comercial.
- Acompanhe a renovação: a taxa de expositores que voltam é um dos sinais mais diretos de valor percebido.
- Cruze com o perfil: não basta saber quantos vieram, e sim se vieram os compradores que os expositores querem encontrar.
- Auditoria independente: quando possível, a verificação externa dos números de público reforça a confiança do mercado.
Com indicadores estáveis, a conversa de venda da próxima edição muda de tom. Em vez de "a feira foi um sucesso", o organizador mostra ao expositor o que melhorou, onde e por quê. Num momento em que as empresas cobram retorno de cada real investido em eventos, essa é uma vantagem competitiva concreta.
Fonte: Exhibition News (Exhibition World), publicado em 14/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.