A IMTS 2026, maior feira de tecnologia de manufatura do Hemisfério Ocidental segundo a TSNN, terminou com crescimento de público e um sinal importante para quem organiza ou expõe em feiras industriais: a programação especializada de conteúdo virou um dos grandes atrativos.
Segundo a Trade Show News Network (TSNN), a feira bienal, realizada de 14 a 19 de setembro no McCormick Place, em Chicago, teve 91.295 inscritos, 2,56% a mais que em 2024. Entre eles, 14.447 estudantes, além de visitantes de todos os estados americanos e de 123 países.
Os números da IMTS 2026
- 1.788 empresas expositoras, das quais 400 estreantes;
- 1,17 milhão de pés quadrados de área de exposição;
- densidade de 1,67, ou seja, 167 visitantes para cada 100 expositores;
- próxima edição marcada para 11 a 16 de setembro de 2028, no mesmo local.
A feira é realizada pela Association for Manufacturing Technology (AMT). O presidente da entidade, Douglas K. Woods, disse que a edição se diferenciou pelo foco em como tecnologia e investimento estão renovando a capacidade industrial americana, incluindo a indústria de defesa. Além de fabricantes e oficinas de usinagem em busca de produtividade, a feira atraiu investidores, grandes empresas de tecnologia, órgãos de governo, universidades e uma nova geração interessada em IA industrial, automação e manufatura avançada.
Conteúdo especializado como atração
O destaque da edição foi a procura por programação especializada. Segundo a TSNN, o público buscou formação focada em IA industrial, investimento, oportunidades internacionais, desempenho de oficinas, liderança e manufatura para defesa. A primeira Industrial AI Conference esgotou duas vezes, mesmo depois de ampliar a capacidade. A feira também estreou a Industrial AI Arena, área de exposição dedicada a soluções práticas de IA para a fábrica.
Outro ponto: a participação estudantil. A feira tem um encontro dedicado a estudantes, com exposições práticas e experiências interativas sobre manufatura avançada. A publicação lembra que fabricantes americanos de bens duráveis enfrentam falta de 435 mil trabalhadores, o que ajuda a explicar o esforço de atrair jovens.
A edição também usou, pela primeira vez, carpete 100% reciclável em todo o complexo e um sistema de sinalização por cores para orientar o público em quatro grandes edifícios.
O que isso muda para o mercado brasileiro
Para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos, e para quem organiza feiras industriais no país, a IMTS traz algumas lições práticas:
- Conteúdo atrai visitante qualificado: conferências temáticas, como a de IA industrial, trazem um público que vai à feira com problema concreto para resolver. Para o organizador, é uma forma de qualificar a visitação.
- Estudantes são investimento: programas para estudantes não geram negócio imediato, mas formam a próxima geração de compradores e profissionais. Com a falta de mão de obra qualificada sendo um tema global, a feira pode ser parte da solução.
- Área temática para novidade: criar um espaço dedicado a uma tecnologia emergente, como fez a IMTS com a IA industrial, ajuda o visitante a encontrar o que procura e dá visibilidade a expositores menores.
- Medir densidade: a relação entre visitantes e expositores é um indicador simples e útil para mostrar ao expositor o potencial de contatos.
- Para o expositor brasileiro que vai a Chicago: a próxima edição é só em 2028, o que dá tempo para planejar a participação, inclusive em pavilhões coletivos.
O recado de fundo é que, em feiras industriais, máquina em exposição continua sendo essencial, mas o conteúdo bem desenhado pode ser o motivo que leva o comprador ao pavilhão.
Fonte: Trade Show News Network (TSNN), publicado em 08/10/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.