A América do Sul vai ganhar mais espaço na CES, feira que sua organizadora apresenta como o evento de tecnologia mais influente do mundo. A Consumer Technology Association (CTA), dona e organizadora da CES, anunciou que o Chile terá pela primeira vez um pavilhão nacional na CES 2027, que acontece de 6 a 9 de janeiro em Las Vegas. Segundo a entidade, será o maior pavilhão sul-americano da história da feira.
Segundo o comunicado oficial da CTA, publicado em 7 de setembro, o anúncio foi feito em Santiago pela presidente e CEO da CTA, Kinsey Fabrizio, e pela ministra chilena de Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação, Ximena Lincolao. As duas, junto com a ministra de Energia, Ximena Rincón, e a gerente-geral da CORFO, Jocelyn Olivari, assinaram um memorando de entendimento para fortalecer os laços de inovação entre Estados Unidos e Chile e ampliar as oportunidades de startups e empresas de tecnologia chilenas na feira.
Uma decisão de Estado
O que chama atenção no caso chileno é o nível de articulação. A participação foi anunciada como parte de uma estratégia nacional, com dois ministérios e a agência de fomento CORFO envolvidos. A ministra Lincolao classificou a presença na CES como decisão nacional de colocar os inovadores do país diante dos tomadores de decisão globais. Na leitura dela, a feira é uma plataforma estratégica para entrar em novos mercados, atrair investimento e construir parcerias.
A delegação chilena deve reunir empresas de robótica, tecnologias de ponta e setores emergentes. Fabrizio citou robótica, energia e tecnologia espacial entre os pontos fortes do ecossistema do país.
O anúncio também é resultado de uma aproximação anterior: no início do ano, o presidente executivo do conselho da CTA, Gary Shapiro, esteve no Chile com a delegação que acompanhou a posse presidencial e se reuniu com lideranças do governo e da indústria.
CES 2027 e a lógica do pavilhão coletivo
Pavilhões nacionais são uma forma conhecida de levar empresas menores a grandes feiras internacionais. Reunidas sob uma mesma identidade, startups e pequenas empresas dividem custos de espaço, montagem e divulgação, ganham visibilidade conjunta e chegam com o apoio institucional do país. Para a organizadora, o pavilhão garante a presença de um ecossistema inteiro de uma vez.
O caso chileno mostra que o tamanho e o impacto de um pavilhão dependem da coordenação entre governo, agências de fomento e setor privado, e de uma mensagem clara sobre o que o país quer mostrar.
O que isso muda para o mercado brasileiro
O comunicado não menciona o Brasil, e esta reportagem não traz dados sobre a participação brasileira em edições anteriores da CES. Mas o anúncio chileno é um bom ponto de comparação para empresas, startups e entidades brasileiras que pensam em ir a Las Vegas ou a outras grandes feiras de tecnologia:
- Procure o coletivo: entidades setoriais, agências de promoção de exportações e programas estaduais costumam organizar participações conjuntas em grandes feiras. Vale verificar as opções antes de tentar ir sozinho.
- Mensagem de país: um pavilhão funciona melhor quando tem um foco claro, como robótica ou energia no caso chileno. Um coletivo com recorte definido atrai mais atenção do que uma mistura de temas.
- Prepare a agenda: estar na feira não basta. Reuniões marcadas com compradores, investidores e imprensa antes da viagem fazem a diferença entre visibilidade e negócio.
- Calendário apertado: a CES acontece logo no início de janeiro. Material, logística e agenda precisam estar fechados antes das festas de fim de ano.
- Olhe para o vizinho: o Chile vai disputar a atenção de investidores e compradores interessados na América do Sul. Para empresas brasileiras, isso pode ser concorrência, mas também oportunidade de parceria regional.
A presença de um país sul-americano com estrutura robusta na CES reforça que a região está no radar da feira. Cabe a empresas e entidades brasileiras decidir como querem aparecer nessa vitrine.
Fonte: CES (comunicado oficial da CTA), publicado em 07/09/2026. Texto produzido pela redação da Agenda de Feiras a partir da reportagem original.